"Quando eu não estiver por perto
Canta aquela música que a gente ria
É tudo que eu cantaria
E quando eu for embora, você cantará"Acho que to ficando com saudade do meu pai. Dele eu herdei inúmeras coisas, das quais se destacam: A paixão pela música e a poesia e um gênio ruim do cacete.
Meu pai veio de uma família com um pai militar e boêmio, sem muito estudo e meio grosseirão, como tinha que ser todo militar no tempo dele. Adorava uma roda de viola, cantava com uma voz grave de barítono e tinha brigas homéricas com o meu pai por praticamente qualquer coisa. Ele saiu de casa e pediu transferência pra Belem-PA e só voltou a se aproximar da família na velhice quando já estava senil e os dedos não mais respondiam as cordas do violão. E ele se foi o ano passado.
Mesmo violão que meu pai tocou desde menino, sem que meu avô descobrisse, foi ser músico, criou família, mas era um pai dedicado. Sempre pronto a nos ouvir e a discutir sobre os mais variados assuntos: desde filosofia, pela qual ele tinha paixão ao BBB mais novo que tivesse passando na tevê. Pois pasmem, a escrita não falhou e meus pais tambem se separaram, meu pai ainda é forte, lúcido e toca/canta divinamente e isso me lembra que tenho que aproveitar sua compania agora, enquanto ainda podemos conversar, rir e discutir muito por que um dia vai caber a mim
cantar a música que a gente ria por que quando ele se for nada mais poderá ser dito.
p.s. o trecho é da música "Estrelas de Oswaldo Montenegro"